Português Prof.: Yago
Continuaremos com a nossa jornada de estudo domiciliar.
Atenção
(14 a 18 de dezembro)
Produção textual para todas as turmas. Tema- Natal hoje
(07 a 11 de dezembro)
+ Semana dedicada a atualização de atividades.
- Entre em contato diretamente com os professores de cada disciplina para ter as orientações da semana.
(16 a 20 de novembro)
Leitura dos capítulos abaixo, do livro Eu sou Malala.
“Meu pai, o Falcão”, páginas 24 a 34;
“Crescendo numa escola”, páginas 35 a 48;
“A aldeia”, páginas 49 a 56;
“Por que não uso brincos e por que os pachtuns não dizem “obrigado”, páginas 58 a 66.
Um forte abraço a todos!
Boa leitura e bons estudos.
(09 a 13 de novembro)
Leitura da seção Antes do Talibã, páginas 12 a 23, intitulada “Nasce uma menina”, do livro Eu sou Malala.
Um forte abraço a todos!
Boa leitura e bons estudos.
(02 a 06 de novembro)
CÍRCULO VIRTUAL DE LEITURA
Atividade da Semana Passada: Saiba um pouco mais sobre a vida da escritora Malala. Acesse os links abaixo e confira os seguintes vídeos que indicamos.
Um forte abraço a todos!
Boa leitura e bons estudos.
Atividades 4ª Etapa
(26 a 30 de outubro)
CÍRCULO VIRTUAL DE LEITURA
Livro no link abaixo:
Leitura do capítulo 3 “Crescendo numa escola”,
páginas 35 a 48, do livro “Eu sou Malala”.
Um forte abraço a todos!
Boa leitura e bons estudos.
4ª Semana (19 a 23 de outubro)
CÍRCULO VIRTUAL DE LEITURA
Livro no link abaixo:
Atividade da Semana Passada: Leitura da seção Antes do Talibã, páginas 12 a
23, intitulada “Nasce uma menina”, do livro “Eu sou Malala”.
Atividade da Semana Atual: Leitura da seção 2 Meu pai, o falcão, páginas 24 a
34, do livro “Eu sou Malala”.
Um forte abraço a todos!
Boa leitura e bons estudos.
Atividade 3ª Etapa
3ª Semana (13 a 16 de outubro)
- Assista o Vídeo abaixo:
Acabamos de conhecer a inspiradora história de Malala. Veja o vídeo do seu discurso na ONU em 2013 e comente (por escrito, áudio ou vídeo)a seguinte fala:
"Vamos travar uma gloriosa luta contra o analfabetismo, a pobreza e o terrorismo. Vamos pegar nossos livros e nossas canetas, pois são as armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. ":
Atividade 3ª Etapa
2ª Semana (05 a 09 de outubro)
Malala
Aquela manhã de terça-feira começou como qualquer outra, embora um pouco mais tarde que o normal. Era época de provas, e então as aulas tinham início às nove horas em vez de às oito, o que era bom, pois não gosto de acordar cedo e consigo dormir mesmo com o cacarejar dos galos e o chamado do muezim para as orações. [...]
A escola não ficava muito longe da minha casa, e eu costumava fazer o percurso a pé, mas desde o início de 2012 passei a ir com as outras meninas, usando o riquixá. [...]
Passei a tomar o ônibus porque minha mãe começou a sentir medo de que eu andasse sozinha. Tínhamos recebido ameaças o ano inteiro. Algumas estavam nos jornais, outras vinham na forma de bilhetes ou de mensagens transmitidos pelos moradores. Minha mãe andava preocupada comigo, mas a milícia talibã nunca atacara uma menina e eu estava mais preocupada com a hipótese de que eles talvez visassem meu pai, que sempre os criticava publicamente. [...]
Eu não estava assustada, mas passei a verificar, à noite, se o portão de casa estava mesmo trancado. E comecei a perguntar a Deus o que acontece quando a gente morre. Contei tudo à minha melhor amiga, Moniba. Morávamos na mesma rua quando pequenas, somos amigas desde a época do ensino fundamental e dividimos tudo: músicas do Justin Bieber, filmes da série Crepúsculo, os melhores cremes clareadores. Seu sonho era virar designer de moda, apesar de saber que sua família jamais concordaria; então dizia a todo mundo que queria ser médica. É difícil, para as meninas de nossa sociedade, ser qualquer coisa que não professora ou médica - isso, se quiserem trabalhar. Eu era diferente. Nunca escondi minha vontade, quando deixei de querer ser médica para ser inventora ou política. Moniba sempre sabia quando algo não ia bem comigo. "Não se preocupe", eu lhe dizia. "Os talibãs nunca pegaram uma menina."
Quando nosso ônibus chegou, descemos a escadaria correndo. As outras meninas cobriram a cabeça antes de sair para a rua e subir pela parte traseira do veículo. [...] O fundo do veículo, onde estávamos sentadas, não tinha janelas, apenas uma proteção de plástico grosso cujas laterais batiam na lataria. [...]
Na realidade, o que aconteceu foi que o ônibus parou de repente. [...] Devíamos estar a menos de duzentos metros do posto militar.
Não conseguíamos ver adiante, mas um jovem barbudo, vestido em cores claras, invadiu a pista e, acenando, fez o ônibus parar.
"Este é o ônibus da Escola Khushal?", perguntou a Bhai Jan. O motorista achou aquela uma pergunta idiota, já que o nome estava pintado na lateral do ônibus. "Sim", respondeu.
"Quero informações sobre algumas crianças", o homem disse.
"Então você deve ir à secretaria da escola", orientou-o Bhai Jan.
Enquanto ele falava, outro rapaz, de branco, aproximou-se pela traseira do veículo. "Olhe, é um daqueles jornalistas que vêm pedir entrevistas a você", disse Moniba. Desde que eu começara a falar em público com meu pai, para fazer campanha pela educação de meninas e contra aqueles que, como o Talibã, querem nos esconder, muitas vezes apareciam jornalistas, até mesmo estrangeiros, mas nunca daquele jeito, no meio da rua.
O homem usava um gorro de lã tradicional e tinha um lenço sobre o nariz e a boca, como se estivesse gripado. Parecia um estudante universitário. Então avançou para a porta traseira do ônibus e se debruçou em nossa direção.
— Quem é Malala?", perguntou.
Ninguém disse nada, mas várias das meninas olharam para mim. Eu era a única que não estava com o rosto coberto.
Foi então que ele ergueu uma pistola preta. Depois fiquei sabendo que era uma Colt 45. Algumas meninas gritaram. Moniba me contou que apertei sua mão.
Minhas amigas disseram que o homem deu três tiros, um depois do outro. O primeiro entrou perto do meu olho esquerdo e saiu embaixo do meu ombro esquerdo. Caí sobre Moniba, com sangue espirrando do ouvido. Os outros tiros acertaram as meninas que estavam perto de mim. O segundo entrou na mão esquerda de Shazia. O terceiro atingiu seu ombro esquerdo, acertando também a parte superior do braço direito de Kainat Riaz.
Minhas amigas mais tarde me contaram que a mão do rapaz tremia ao atirar. Quando chegamos ao hospital, meu cabelo longo e o colo de Moniba estavam cobertos de sangue.
Quem é Malala? Malala sou eu, e esta é minha história.
(Malala Yousafzai. Eu sou Malala. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 13-7.)
muezim: é a pessoa que, em uma torre alta e estreita, chamada minarete, conclama os religiosos a fazerem suas orações.
riquixá: tipo de veículo, pequeno e leve, muito usado no Oriente.
Quem é Malala?
Malala Yousafzai nasceu em 1997, no vale Suat, Paquistão. No início de 2009, com 11 para 12 anos de idade, Malala escreveu um blog sob um pseudônimo para a BBC, de Londres, detalhando como era a vida sob o regime do Talibã, as tentativas dessa organização para tomar o controle da região e sobre as dificuldades das mulheres para poderem estudar. Os posts para a BBC duraram apenas alguns meses, mas deram notoriedade à menina. Ela deu entrevistas a diversos canais de TV e jornais, participou de um documentário e foi indicada ao Prêmio Internacional da Paz da Infância em 2011. Na época, ela não ganhou - mas foi laureada com o mesmo prêmio em 2013.
Hoje, Malala vive na Inglaterra e seu sonho é voltar ao Paquistão quando as coisas estiverem diferentes.
O que é o Talibã?
O Talibã é conhecido no Ocidente como um movimento político e religioso radical. Seu objetivo é recuperar os principais aspectos do islamismo - cultural, social, jurídica e economicamente -, com a criação de um Estado teocrático que regule a vida sacio política e religiosa. O conhecido ataque às torres gêmeas em Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001, foi atribuído aos talibãs e a um de seus líderes, Os ama Bin Laden, que foi perseguido e morto pelos norte americanos.
Hijab, niqab e burca
O texto de Malala faz referência a "cobrir a cabeça" como uma das normas do Talibã.
Na religião muçulmana, a maioria das mulheres usa ao menos um véu. Contudo, há divergências quanto à obrigatoriedade desse uso, bem como quanto ao tipo de véu.
Os trajes mais conhecidos são:
hijab: véu que tem a finalidade de ocultar apenas o cabelo;
niqab: véu que cobre o rosto e revela apenas os olhos;
burca: veste feminina que cobre todo o corpo, até o rosto e os olhos. Utilizada no Afeganistão e em parte do Paquistão, é o traje defendido pelos talibãs.
QUESTÕES DE INTERPRETAÇÃO
1. O texto narra os acontecimentos que precederam um fato decisivo na vida de Malala. Qual é esse fato?
2. Apesar de a escola ser próxima da casa de Malala, ela começou a ir de ônibus para a escola a partir do início de 2012. Leia "Quem é Malala?" e responda: O que explica essa mudança na rotina da menina?
3. "Tínhamos recebido ameaças o ano inteiro. Algumas estavam nos jornais, outras vinham na forma de bilhetes ou de mensagens transmitidos pelos moradores", conta Malala. De quem partiam as ameaças?
4. Malala tinha medo do que poderia acontecer? Justifique sua resposta com elementos do texto.
5. Malala se destacou em seu país por causa, principalmente, de sua luta pelo direito de as mulheres estudarem.
a) Naquela sociedade, quais são as únicas profissões toleradas para mulheres?
b) Malala se adaptou a essas regras?
6. Nos trechos "As meninas cobriram a cabeça antes de sair para a rua" e "Eu era a única que não estava com o rosto coberto":
a) Que outra regra religiosa se percebe nesse hábito das meninas?
b) Infira: Malala concordava com essa outra regra. Justifique sua resposta.
c) O rosto descoberto de Malala pode ter contribuído para o atentado? Por quê?
7. Quando sofreu o atentado, Malala tinha 15 anos. Que elementos do texto mostram que ela era uma adolescente igual às outras, tanto as do mundo oriental quanto as do mundo ocidental?
4ª Semana / 1ª semana (28 de setembro a 02 de outubro)
CÍRCULO VIRTUAL DE LEITURA
Atividade da Semana Passada: Leitura da seção Prólogo do livro indicado.
Atividade da Semana Atual: Saiba um pouco mais sobre a vida da escritora Malala.
Acesse os links abaixo e confira os seguintes vídeos que indicamos.
Um forte abraço a todos!
Boa leitura e bons estudos.
3ª Semana (21 a 25 de setembro)
Círculo Virtual de Leitura
Durante as próximas semanas, faremos uma atividade de leitura em nossas aulas de língua portuguesa, apreciando o livro “Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã”, escrito pela defensora da educação de qualidade de homens e mulheres em todo o mundo,
Malala Yousafzai. Mais abaixo, disponibilizarei o arquivo em PDF do livro que leremos juntos nas próximas semanas. Combinaremos uma semana para a leitura e outra para a extrapolação da leitura, através de atividades elaboradas pelo professor.
Atividade da Semana: Leitura da seção Prólogo do livro indicado. Link abaixo:
Um forte abraço a todos!
Boa leitura e bons estudo 2ª Semana (14 a 18 de setembro)
CÍRCULO VIRTUAL DE LEITURA
Durante as próximas semanas, faremos uma atividade de leitura em nossas aulas de língua portuguesa, apreciando o livro “Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã”, escrito pela defensora da educação de qualidade de homens e mulheres em todo o mundo,
Malala Yousafzai. Mais abaixo, disponibilizarei o arquivo em PDF do livro que leremos juntos nas próximas semanas. Combinaremos uma semana para a leitura e outra para a extrapolação da leitura, através de atividades elaboradas pelo professor.
Atividade da Semana: Leitura da seção Prólogo do livro indicado. Link abaixo:
Um forte abraço a todos!
Boa leitura e bons estudo
1ª Semana (8 a 11 de setembro)
Atividade da Semana: Autocuidado e valorização da vida.
O que fazer antes?
Assistir ao vídeo indicado abaixo:
O que fazer depois?
- Como você tem lidado com as emoções durante esse período de distanciamento social?
- Quais dicas das que foram indicadas no vídeo, quais você mais gostou?
- Em casa você tem encontrado formas de distração, prazer e entretenimento (divertimento) que ajudam a passar os dias de maneira mais leve?
- Conte um pouco do seu dia a dia em poucas linhas. Gostaria muito de saber como cada um de vocês tem se organizado nesse período. Vamos lá?
Se surgirem dúvidas, usem os grupos criados pelos coordenadores por meio do aplicativo Whatsapp. Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se!
Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.
Atividades 2ª etapa encerradas
5ª Semana de julho (27 a 31)
- Bom dia!
Estamos em nossa última semana de atividade remotas antes de nossas férias. Sendo assim, nesta semana não teremos novas atividades. Reserve esta semana para colocar suas atividades em dia. Entre em contato com seus professores em nosso grupo de whatsapp.
Bons estudos e boas férias.
4ª Semana de julho (20 a 24)
Atividade da Semana: Revisão de atividades anteriores.
O que fazer agora?
Colocar em dias as atividades atrasadas e ainda não contempladas em seus estudos domiciliares.
Se surgirem dúvidas, usem os grupos criados pelos coordenadores por meio do aplicativo
Whatsapp. Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se!
Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.
Atividade da Semana: Revisão de atividades anteriores.
O que fazer agora?
Colocar em dias as atividades atrasadas e ainda não contempladas em seus estudos domiciliares.
Se surgirem dúvidas, usem os grupos criados pelos coordenadores por meio do aplicativo
Whatsapp. Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se!
Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.
2ª Semana de Julho (06 a 10)
Leitura do conto, a seguir:
Felicidade Clandestina
Clarice Lispector
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos,
meio arruivados. Tinha um
busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não
bastasse enchia os dois
bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que
qualquer criança devoradora de
histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de
pelo menos um livrinho
barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai.
Ainda por cima era de paisagem
do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas.
Atrás escrevia com letra
bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança,
chupando balas com barulho.
Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente
bonitinhas, esguias, altinhas,
de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo.
Na minha ânsia de ler, eu
nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a
implorar-lhe emprestados os livros
que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma
tortura chinesa. Como
casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de
Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com
ele, comendo-o, dormindo-
o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse
pela sua casa no dia
seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria:
eu não vivia, eu nadava
devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava
num sobrado como eu, e sim
numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me
que havia emprestado
o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo.
Boquiaberta, saí devagar,
mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua
a andar pulando, que
era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem
caí: guiava-me a promessa
do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a
minha vida inteira, o amor pelo
mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí
nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de
livraria era tranquilo e
diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um
sorriso e o coração batendo.
Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que
eu voltasse no dia seguinte.
Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia
seguinte” com ela ia se repetir
com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo
indefinido, enquanto o fel não
escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela
me escolhera para eu
sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito:
como se quem quer me fazer
sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer.
Às vezes ela dizia: pois o
livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo
que o emprestei a outra
menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se
cavando sob os meus olhos
espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e
silenciosa a sua recusa,
apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária
daquela menina à porta de
sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa,
entrecortada de palavras
pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de
não estar entendendo. Até
que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa
exclamou: mas este livro
nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia
ser a descoberta horrorizada
da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de
perversidade de sua filha
desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas
de Recife. Foi então que,
finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai
emprestar o livro agora mesmo.
E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.
“Entendem? Valia mais do que me
dar o livro: pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa,
grande ou pequena, pode ter a
ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o
livro na mão. Acho que eu não
disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí
andando bem devagar. Sei que
segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito.
Quanto tempo levei até
chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu
coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para
depois ter o susto de o ter.
Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo,
fui passear pela casa, adiei
ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde
guardara o livro, achava-o,
abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para
aquela coisa clandestina que era
a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece
que eu já pressentia. Como
demorei! Eu vivia no ar… havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma
rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo,
sem tocá-lo, em êxtase
puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
- O que fazer agora?
Pelo texto lido, você percebeu que a personagem principal tem uma relação
de amor com a leitura,
tendo com o livro uma proximidade de afeto e de felicidade. Gostaria
que você fizesse um pequeno
texto apresentando sua relação com os livros. Você tem costume de ler?
Os livros fazem parte do
seu dia e das suas horas de estudo? Relate um pouco como você se
relaciona com a literatura.
Se surgirem dúvidas, usem os grupos criados pelos coordenadores por
meio do aplicativo
Whatsapp. Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se!
Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.
5ª semana de junho/ 1ª de julho (29/06 a 03/07)
+ Semana de revisão.
- Aprovei esta semana para revisar as atividades e colocar em dia alguma que esteja pendente.
3ª Semana (15 a 19 de junho)
- Leia a crônica abaixo:
A última crônica
Fernando Sabino
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá- las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Elenco de cronistas modernos.
21ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.
O que fazer agora?
- O texto acima conta-nos uma história bastante interessante, ao mesmo tempo triste. Trata-se de uma festa de aniversário muito simples, composta apenas por uma fatia de bolo e uma garrafa de Coca- Cola compradas em um botequim de uma grande cidade brasileira. A aniversariante, uma garota de três anos, mostra-se muito feliz com aquela surpresa feita por seus pais.
- Responda no caderno:
1. Quem são os personagens dessa crônica?
2. Onde aconteceram as ações contadas no texto? Em qual espaço?
3. Quem é o narrador dessa crônica?
4. Em qual tempo a história dessa crônica foi construída? Um tempo passado ou presente?
5. Qual o enredo central (principal acontecimento) dessa crônica?
Obs.: Caso surjam dúvidas, usem os grupos criados por meio do aplicativo Whatsapp.
Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se!
Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.
2ª Semana (08 a 12 de junho)
- Assista ao vídeo sobre Racismo, publicado pelo canal Brasil Escola.
Endereço do vídeo:
- O que fazer agora?
Assistindo ao vídeo, você acompanhou a explicação do que significa o conceito de racismo, bem como explicações sobre preconceito e discriminação. Depois de concluído o vídeo, reflita sobre o que foi dito pelo professor sobre as práticas de racismo no dia a dia. Sua atividade será escrever sobre os tipos de racismo apresentados no vídeo. Reflita e escreva sobre isso.
- Se surgirem dúvidas, usem os grupos criados pelos coordenadores por meio do aplicativo whatsapp.
Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se!
Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.
1ª Semana (01 a 05 de junho)
Atividade da semana: Assista ao vídeo de um trecho do episódio de um desenho animado muito famoso, cujo protagonista é um super-herói negro chamado Super Choque.
Endereço do vídeo:
O que fazer agora?
- Assistindo ao vídeo, você observou uma cena de racismo vivida pelo personagem principal.
O pai do seu melhor amigo agiu de maneira discriminatória e preconceituosa por conta da cor de sua pele, de sua cultura, de seus gostos musicais, etc. Sabendo do quanto tudo isso machuca e fere as pessoas, escreva um pequeno texto apresentando a sua interpretação da história e o seu ponto de vista a respeito do racismo. O que você pensa das pessoas que agem de maneira racista? Podemos conscientizar as pessoas de que não devem tratar diferente as pessoas por conta da cor de sua pele? Reflita e escreva sobre isso.
Se surgirem dúvidas, usem os grupos criados pelos coordenadores por meio do aplicativo Whatsapp.
Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se!
Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.
4ª Semana ( 25 a 29 de maio)
- Leia a História em Quadrinhos produzida pela cartunista Laerte:
O que fazer agora ?
- Escreva um pequeno texto apresentando a sua interpretação da história em quadrinhos lida na página anterior. Perceba que o conhecimento, representado na tirinha por um livro, foi algo bastante decisivo na transformação da lagarta em borboleta. O que você pode dizer no seu texto a respeito da importância da escola na sua vida? Reflita e escreva sobre isso.
- Se surgirem dúvidas, usem os grupos criados pelos coordenadores por meio do aplicativo Whatsapp. Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se!
Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.
3ª Semana (18 a 22 de maio)
+ Semana de revisão.
- Aprovei esta semana para revisar as atividades e colocar em dia alguma que esteja pendente.
Atividades da 1ª Etapa encerradas
2ª Semana (11 a 15 de maio)
- Assistir ao vídeo , cujo link está indicado logo abaixo.“10 curiosidades sobre a língua portuguesa”
- Como vocês perceberam, estudamos um pouco sobre as curiosidades da nossa língua portuguesa.
Que bom saber coisas novas, não é mesmo? O que fazer agora?
- Escrever no seu caderno, um resumo de cada uma das 10 curiosidades sobre a nossa língua.
1ª Semana (04 a 08 de maio)
- Atividade da semana: Assistir ao vídeo “O gênero Editorial”, cujo link está indicado logo abaixo.
- Como vocês perceberam, estudamos um pouco sobre o gênero editorial, um texto de circulação jornalística em nossa sociedade. O que fazer agora?
· Acessar o editorial compartilhado a seguir, escrito pelo Jornal Folha de São Paulo, no qual apresenta a postura do veículo jornalístico acerca das agressões sofridas pelos jornalistas, aqui no Brasil, no dia em que comemora-se a liberdade de imprensa.
· Link: Marcha dos covardes
- Se surgirem dúvidas, usem os grupos criados pelos coordenadores por meio do aplicativo Whatsapp. Mais uma vez, para que não esqueçam: cuidem-se! Logo mais, estaremos todos juntos presencialmente.


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